TAG | 7 Provérbios, 7 Livros

Saturday, August 4, 2018


Há uns dias, vi esta tag no blog da Cláudia e fiquei de olho nela. Ontem, voltei a vê-la no blog da Daniela e decidi que tinha de a fazer. Foi criada pela Mar. Então aqui vai...

1 - A pensar morreu um burro.

Um livro que enrolou, enrolou, enrolou e parecia nunca mais chegar ao fim



De todos os livros que li este ano, penso que O Hipnotista da dupla Lars Kepler será aquele que tem mais "palha". 

Não é necessariamente um livro aborrecido, mas tem demasiadas descrições e cenas um pouco irrelevantes para o tipo de livro que é. Quem lê um policial, não quer saber se as folhas no chão lá fora estão douradas, nem quer que lhe descrevam o barulho que fazem ao serem pisadas - pelo menos, não é isso que procuro num livro deste género. Penso que o livro beneficiaria se tivesse menos umas cem páginas. Torná-lo-ia uma leitura bem mais rápida e dinâmica.

Ainda assim, gostei da leitura, à qual dei 4 em 5 estrelas.

2 - Mais vale tarde que nunca.

Um livro de que não estavas a gostar muito, mas depois *puff fez-se luz* teve um final muito bom


Não foi necessariamente uma leitura de que não estivesse a gostar mas, quando lhe peguei, há uns meses atrás, não me prendeu e pu-lo de lado. No entanto, voltei a pegar-lhe em Julho e, se já viram a opinião no canal, sabem que acabei por adorá-lo!

3 - Antes só que mal acompanhado.

Um livro único (stand-alone) espectacular



Este foi um livro que eu li em 2017 e achei maravilhoso, mas ninguém lhe liga nenhuma. Nem a própria editora fez grande publicidade... Eu bem tento que o pessoal o leia, mas não sei se tem resultado.

É um YA contemporâneo que ultrapassa o romance - apesar de ter também essa vertente - e lida com assuntos mais sérios e complicados do que a maioria dos livros deste género.

4 - A galinha do vizinho é sempre melhor que a minha.

Um livro muitas vezes comparado a livros ou sagas populares, mas que ficou um pouco abaixo das expectativas



Não sei se este livro é comparado a outros mais populares mas, para mim, foi uma desilusão. Foi-me enviado pelo próprio autor, e eu nem sequer o terminei, para verem o nível de desagrado...

5 - Para bom entendedor meia palavra basta.

Um livro curto, mas bom



Vou ser previsível e escolher um dos livros favoritos do ano - O Diário Oculto de Nora Rute. Como sabem, tornei-me uma fã incondicional de Mário Zambujal há uns meses. A maioria dos seus livros são bastante curtos, e podem ser lidos numa tarde.

O Diário Oculto de Nora Rute é uma leitura leve, cheia de humor e 'portuguesices' que eu adorei, por isso é perfeita para esta categoria 😉 Podem ler a minha extensa opinião aqui.

6 - Todos os caminhos vão dar a Roma.

Um livro e/ou universo literário para o qual gostavas de viajar



Penso que muita gente respondeu o mesmo, mas claro que adoraria viajar até Hogwarts. É virtualmente impossível alguém da minha geração não querer (ou ter, nalguma altura, querido) ser aluno em Hogwarts, nem que fosse para explorar os lugares proibidos do castelo, jogar Quidditch, ou aprender a usar magia e a tratar de mandrágoras.

7 - Quem te avisa teu amigo é.

Recomenda três livros


Esta é difícil, mas vou recomendar três livros de géneros diferentes, para poder agradar a mais gente:


Não vou nomear ninguém em específico para responder a esta tag mas, quem tiver interesse em responder, considere-se taggado! 

Obrigada por visitarem o blog,
Até ao próximo post ♡

Uma Abelha na Chuva | Carlos de Oliveira

Thursday, August 2, 2018


TítuloUma Abelha na Chuva
AutorCarlos de Oliveira
Editora: Livraria Sá da Costa
Ano de publicação: 1980
Páginas: 180

Onde comprar (portes grátis): Wook


Num dia destes, o meu pai trouxe um livro da biblioteca, daqueles que estão num caixote para dar a quem os quiser. Assim que vi o livro, reconheci o título e o autor, já que o Hugo tinha feito opinião não há muito tempo. Peguei nele nessa noite, e terminei-o no dia seguinte.

Uma Abelha na Chuva conta-nos a história de Álvaro e Maria dos Prazeres, casados por interesse. Casaram numa altura em que as famílias fidalgas se encontravam falidas e, como tal, casavam as suas filhas com comerciantes e lavradores. "Sangue por dinheiro", como nos conta o autor. No início da narrativa, Álvaro dirige-se, a pé e enlameado, à redacção da Comarca de Corgos. Pretende publicar no jornal uma confissão dos seus pecados, para poder, de alguma forma, redimir-se. A partir daqui, desenvolve-se a história deste casal - com um enredo super dramático que me prendeu do início ao fim.

Como sabem, um dos meus objectivos para este ano era ler obras nacionais. Tenho conseguido fazê-lo, e tenho lido obras fantásticas - mas também já me desiludi com outras... Uma Abelha na Chuva insere-se na categoria de surpresas agradáveis, já que foi uma leitura bastante prazerosa. Com apenas 180 páginas (sendo que as edições mais recentes têm cerca de 130), Uma Abelha na Chuva é uma leitura rápida e compulsiva. O dramatismo de todos os acontecimentos é digno de uma telenovela mexicana, e é também algo que prende o leitor e não o larga até que a leitura esteja terminada.

Domingo, dia de missa, consultório e chinquilho nas tascas, dia de levar a garotada à malga do barbeiro: enfia-se a malga pela cabeça dos rapazes e o Albano faz a tosquia circular ao longo do rebordo; vem depois o disfarce, operação de pente e tesourada larga, que só não acaba de tornar o cachopo num verdadeiro urso, porque a cabeça dos ursos não é às escadinhas, como dizia depreciativamente o Rocha, que trazia um filho, em Corgos, a aprender o ofício na Barbearia Perfeição. (p. 176)

O livro tem um elenco reduzido, talvez uns sete ou oito personagens que surgem frequentemente, mas todos muito distintos. Há personagens para todos os gostos, e partilho já convosco a minha predilecta: D.ª Violante. Esta senhora fez-me rir várias vezes com os seus inúmeros provérbios, o que cortou um pouco a tristeza que está patente durante a leitura.

A escrita do autor diz-nos logo que este escreve poesia. É muito elaborada, e até ritmada, mas isso não torna, de todo, difícil a leitura de Uma Abelha na Chuva. Confesso que fiquei rendida, e gostaria de explorar mais a obra do autor.

Por hábito, lançou os olhos às colmeias, que lhe ficavam mesmo em frente, dez ou doze metros, se tanto, e viu uma abelha voar da Cidade Verde. Baptizava as colmeias conforme a cor de que as pintara, Cidade Verde, Cidade Azul, Cidade Roxa. A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas. (pp. 179-80)

É também uma obra interessante por representar a sociedade portuguesa de há umas décadas atrás. Retrata o quotidiano dos portugueses, bem como a situação política e económica da época, tanto na metrópole, como nas então colónias portuguesas. Isto implica, como devem calcular, racismo e sexismo, tendo em conta a época retratada e o colonialismo.

Não leias esta passagem à cunhada, mas fica sabendo que uma preta, bem espremida, deita mais sumo do que uma laranja. A questão é enchê-las dumas aguardentes lêvedas que por aqui há e eu quero ver onde é que está a branca que dê um rendimento destes. (p. 65)

Como foi anteriormente mencionado, a tristeza é algo proeminente em Uma Abelha na Chuva. A obra fala-nos sobre pessoas que vivem infelizes. Sobre a morte, a guerra e o colonialismo. Sobre amores forçados e amores impossíveis, proibidos. No entanto, o autor consegue encontrar um equilíbrio entre o tom de desgraça e o humor ou situações mais corriqueiras, tornando esta uma leitura agradável.

Em jeito de conclusão, Uma Abelha na Chuva surpreendeu-me pela positiva: foi uma leitura rapidíssima e cativante, que me fez devorar compulsivamente as suas páginas - e me arrebatou sem que eu o esperasse.

5/5 estrelas

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