Três Coroas Negras | Kendare Blake

Saturday, September 22, 2018 Seoul, Coreia do Sul


Título: Três Coroas Negras
Autor: Kendare Blake
Editora: Porto Editora
Ano de Publicação: 2018
Nº de Páginas: 328
Classificação: 5/5 estrelas

Goodreads // Onde comprar (portes grátis): Wook ou BookDepository



SINOPSE


Três rainhas negras,
Fruto da mesma terra.
Três gémeas meigas,
Agora entrarão em guerra.
Três irmãs negras –
Quais delas não se adivinha –
Mas duas terão de morrer:
Só uma será rainha.

A CADA GERAÇÃO, NA OBSCURA ILHA DE FENNBIRN, NASCEM TRÊS IRMÃS GÉMEAS.

Três rainhas herdeiras de um só trono, cada uma possuindo um poder mágico muito cobiçado. Mirabella é capaz de inflamar o incêndio mais violento ou a tempestade mais terrível. Katharine consegue ingerir um veneno mortal sem sentir os seus efeitos. De Arsinoe diz-se capaz de fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz.

Mas para uma delas ser coroada rainha, não basta ter a linhagem certa. As trigémeas terão de conquistar o seu direito à coroa, lutando por ele… até à morte.

Na noite em que as irmãs completam 16 anos, a batalha começa. E a rainha que sobreviver, conquistará a coroa!


OPINIÃO


Vocês nem imaginam as saudades que eu tinha de ficar tão agarrada a uma série de fantasia!!

Gostei ainda mais de Três Coroas Negras do que tinha esperado. Tem uma história completamente diferente de tudo o que já li em livros YA (juvenis), e só por isso já merece o reconhecimento que tem tido. Detectei logo algumas influências da mitologia Grega e Romana – por exemplo o elemento das irmãs trigémeas –, o que é claramente um ponto a favor do livro. Quem me segue sabe do meu amor incondicional pelas civilizações antigas, portanto isto não deve ser surpresa para ninguém 😄

Um outro aspecto destaca Três Coroas Negras é a sociedade que vemos em Fennbirn, a ilha onde se desenrola a acção. Trata-se de um matriarcado, isto é, as mulheres têm o poder, tanto o político como o divino, e qualquer rei é sempre consorte. Ah, e os homens é que se sentem intimidados pelas mulheres – e não o contrário, como estamos habituados! Não me lembro de ler nenhum outro livro com uma sociedade matriacal, se tiverem alguma recomendação de outros livros semelhantes, por favor deixem nos comentários! 🙏🏼


O enredo é super interessante – quem não quer ler uma história sobre rainhas trigémeas que têm de lutar até à morte para serem coroadas, não é verdade? Adorei ler da perspectiva de todas elas e saber o que se passa na 'corte' de cada uma. Outro aspecto fantástico é quão sombrio este livro é, assim como a malícia e crueldade de alguns dos personagens – quando se vive em Fennbirn, não se pode ser uma florzinha de estufa, não é verdade? O que me leva à parte política da história, que é interessantíssima. Ver os planos dos personagens para derrotarem ou para se livrarem de outros para terem benefícios e cargos políticos foi, no mínimo, divertido. Eu não sou grande fã de política mas, aparentemente, é só se for no mundo real... política em ilhas ficcionais é super fascinante 😄

Passando agora para uma das melhores partes do livro... o romance e as relações. Há muito personagem traiçoeiro, mas também há muito amor verdadeiro, e não apenas no sentido romântico – laços familiares, amizade, relações diplomáticas, há de tudo. E animais de estimação incríveis!! É um livro maravilhoso, estou tão entusiasmada por me sentir viciada numa nova série de fantasia outra vez! 😍

Fiquei apegada a muitos dos personagens – mas também desenvolvi sentimentos de ódio por outros! As irmãs já passaram por muito ao longo da vida, e custou-me ver como elas eram obrigadas a fazer tudo o que lhes mandavam, porque era o seu dever. Há até uma altura em que alguém diz que "ninguém deseja ser rainha", por isso imaginem quão terrível é o destino destas raparigas 😓

E O FINAL!!! Estou doida para passar aos próximos livros, preciso de saber o que acontece depois deste final!! Todo o livro está cheio de revelações e reviravoltas surpreendentes. Tanto assim é, que cheguei a um ponto em que não conseguia mesmo largar o livro – tinha de saber o que ia acontecer a seguir!

Resumindo e concluindo, Três Coroas Negras é uma história sombria, com um enredo original e cheia de magia, traições, e personagens rancorosos. É uma leitura perfeita para o Outono (que há de vir), especialmente se estiverem enrolados numa manta a ouvir a chuva ♡

★★★★★ 5/5 estrelas


E vocês, já leram Três Coroas Negras? Digam-me nos comentários o que acharam!

Obrigada por visitarem o blog,
Até à próxima ♡

Amor de Perdição | Camilo Castelo Branco

Monday, September 10, 2018 Lisbon, Portugal


TítuloAmor de Perdição
Autor: Camilo Castelo Branco
Editora: Guerra & Paz
Ano de publicação: 2016
Páginas: 208

Onde comprar (portes grátis): Wook

Sempre ouvi falar sobre Camilo Castelo Branco, a sua trágica história e o seu maior romance. Porém, só aos 21 anos li Amor de Perdição, e é dessa experiência que vos venho falar.

Esta é uma leitura muito triste: o autor conta-nos a história de Simão, seu tio, ainda que alterada e com ficção à mistura. Este apaixona-se por uma vizinha, paixão essa que é correspondida. Porém, à semelhança do que acontece noutras grandes obras literárias, estes dois personagens pertencem a famílias rivais. Como tal, a sua relação não é aceite e são proibidos de estabelecer qualquer contacto.

Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da janela de seu quarto é que ele a vira pela primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos (p. 37)

Não achei Amor de Perdição uma leitura muito fácil ao início, custou-me um pouco entrar na história. Como nunca tinha lido nada do autor, estranhei a escrita, mas a partir do terceiro ou quarto capítulo foi sempre a aviar, li tudo num instante. Adicionalmente, falou de política logo nas primeiras páginas, por isso eu comecei logo a revirar os olhos... mas depois mudou de assunto :P

Existe alguma crítica social, e a crítica à igreja é muito acentuada a certa altura, quando o autor escreve diversas cenas passadas no interior de um convento.

Não delongaremos esta amostra do evangélico e exemplar viver do convento onde [personagem] mandara a sua filha a respirar o puríssimo ar dos anjos, enquanto se lhe prepara crisol mais depurador dos sedimentos do vício no convento de Monchique (p. 83)

É muito interessante observar os contrastes entre a época em que a obra foi escrita e a nossa, a todos os níveis. Um desses contrastes será o casamento entre primos, ou o facto de o pai escolher o cônjuge dos filhos. Bem, na realidade esse passado não é assim tão distante, mas não é práctica comum nos nossos dias. Porém, talvez o maior 'choque' se dê no que toca a diálogos. Foi algo que notei durante a leitura: a linguagem é muito diferente. Claro que, pertencendo a uma classe social alta, o autor teria crescido envolto numa linguagem um pouco mais formal, mas até a linguagem formal difere da actual. É muito interessante, e para uma estudante de Letras é uma delícia!

A edição que li, da colecção de clássicos da Guerra & Paz, é exemplar. Além de ilustrações e prefácios/notas do autor, inclui uma secção de anexos que, entre outros extras, inclui textos de época de Manuel Pinheiro Chagas e Ramalho Ortigão acerca da obra. A partir destes, ficamos com uma noção da perspectiva, tanto do autor, como de terceiros seus contemporâneos, em relação a este romance.

Como devem saber, esta história é muito trágica, por isso ficamos de coração apertado o tempo todo. Porém, há alguns momentos de descontração, quando algum personagem tem uma saída mais engraçada. Esta cena em particular fez-me soltar uma gargalhada:

A rapariga sai à mãe. Minha mulher, que Deus haja, quando eu lhe andava rentando, dei-lhe um dia um beliscão numa perna. E vai ela põe-se direita comigo, e deu-me dois cascudos nas trombas, que ainda agora os sinto (p. 148)

Em suma, estou muito feliz por ter, finalmente, lido este grande clássico da nossa língua. Adorei cada momento, apesar de toda a tristeza que me causou. É uma leitura muito rica, até parece impossível que o autor a tenha escrito em apenas 15 dias!

5/5 estrelas

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