Dia Mundial do Livro | A Minha Desgraça (Book Haul)

Tuesday, April 23, 2019

Como devem saber, hoje, dia 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. Para comemorar esta data, as livrarias fizeram promoções de vários tipos em todos os seus títulos, como é já hábito todos os anos. Problema: uma pessoa não resiste a livros em promoção... por isso, trago-vos o meu book haul de hoje  😁 Podem clicar no título de cada um dos livros para comprarem ainda com desconto (deverão estar disponíveis, pelo menos, até às 23:59h) 😉

COMPRAS EM LOJA FÍSICA (FNAC)


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Uma Biblioteca da Literatura Universal de Herman Hesse (10,07€)


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Atos Humanos de Han Kang (7,95€)


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Canção Doce de Leïla Slimani (8,45€)

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COMPRAS ONLINE (Bertrand)


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A Amiga Genial de Elena Ferrante (13,60€)


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A Denúncia de Bandi (7,45€)


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Coração Tão Branco de Javier Marías (14,80€)




E vocês, fizeram estragos nas promoções de hoje? Digam-me tudo nos comentários!

Obrigada por visitarem o blog,
Vemo-nos no próximo post! ♡

O Mistério do Caso de Campolide | Francisco Moita Flores

Monday, February 4, 2019 Moura, Portugal


Título: O Mistério do Caso de Campolide
Autor: Francisco Moita Flores
Editora: Casa das Letras // LEYA
Ano de publicação: 2018
Páginas: 287

Onde comprar (portes grátis): Wook*

À semelhança do que fiz em 2018, este ano pretendo conhecer e explorar a nossa literatura. Quem segue o meu canal, já deve saber que no ano passado conheci muitos autores Portugueses e Lusófonos - a maioria dos quais fantásticos -, o que me fez querer continuar esse processo. O primeiro autor Português que conheci este ano foi Francisco Moita Flores, através do seu mais recente lançamento, O Mistério do Caso de Campolide. Este é o primeiro romance policial do autor, que me foi gentilmente enviado pela editora, a quem agradeço desde já ♡

A História

Em O Mistério do Caso de Campolide, como era de esperar por se tratar de um policial, seguimos um inspector/detective - Simão Rosmaninho, agente da Polícia de Investigação Criminal (PIC). Se estranharem a designação das Instituições, deve-se ao facto de este ser um policial histórico, já que se passa em 1937, durante o Estado Novo.
Lisboa mostrava os rendilhados encardidos dos pedintes, dos almocreves esquálidos, dos funcionários públicos humildes, das costureirinhas e serviçais que abandonavam as profissões para se dedicarem ao fado (p. 22)
O nosso agente entra em cena quando, durante um jantar de celebração onde estavam várias personagens importantes, um recém-nomeado deputado morre. Um dos convidados do jantar, médico-cirurgião, declara o óbito por enfarte. Porém, Simão não acredita nessa teoria, e defende que Álvaro Penaguião foi, na verdade, assassinado. Assim, seguimos a personagem principal durante a investigação deste caso delicado, acompanhando também um pouco a sua vida amorosa.

Opinião

Fiquei agradavelmente supreendida com a escrita de Moita Flores. Além de se ler muito bem, e de a escrita não ser complicada, o próprio uso que o autor faz da língua torna a leitura acessível, embora exista algum vocabulário incomum nos dias que correm. Confesso que tive de pesquisar o significado de uma ou duas palavras, e que dei de caras com palavras tão 'raras' que, em toda a minha vida, só tinha ouvido uma pessoa a pronunciá-las - a minha avó. Isto acaba por ser fruto da componente histórica desta obra, algo que me agradou bastante. Não só nos são apresentados o contexto político, a sociedade Portuguesa e a Lisboa dos anos 30, como a própria linguagem é também adaptada à época que o autor retrata.
Olhou o Rossio, onde se cruzavam carroças e automóveis, eléctricos e autocarros num ambiente rasgado pelos pregões dos ardinas (p. 143)
Para além do típico e viciante enredo whodunnit, utilizado pelo autor, um dos melhores aspectos desta obra é, sem dúvida, o elenco de personagens. Há com cada indivíduo, e cada um mais ordinário, trapalhão, e engraçado que o outro, que eu fui soltando gargalhadas ao longo de todo o livro. A meu ver, as personagens são um ponto forte, e tornam a leitura cómica, divertida, e dinâmica.
O Comandante Carapau corroborava a versão do sacerdote.
- Abusou do champanhe, é o que eu digo. Foi a mistura de vinhos que lhe estoirou a barriga e o fez dar o peido mestre. É o que eu digo. Misturas, nunca!
Outro aspecto interessante da obra é a cultura e os valores que vigoravam na altura. Em vários momentos ao longo da história são-nos apresentados alguns dos valores defendidos tanto pelos homens e mulheres Portugueses, como pelo próprio Estado e, claro, por Salazar. Por falar em Estado Novo, sendo essa a época retratada, não poderia faltar a PIDE, na altura ainda PVDE, e os seus métodos pouco ortodoxos. Esses comportamentos foram, tal como a intriga política, enfatizados ao longo da história, sendo também relevantes para a mesma.
- Porque é que o teu cabelo é da cor da prata?
- É que a infância é da cor do ouro e a velhice é feita de prata. Como o Sol anuncia o dia que vai começar e a Lua traz a noite e as estrelas. (p. 81)
Apesar de ter sido uma leitura cativante desde o início, tanto pela escrita do autor, como pela minha curiosidade em relação à sua obra, senti que o final foi a parte que mais me prendeu. As últimas 70 páginas foram totalmente devoradas por mim, e considero que a forma como a resolução do caso nos foi apresentada não poderia ter sido melhor. Foi quase como o fechar de um ciclo. Eu sei que, para quem não leu, não será totalmente claro o que quero dizer, mas, quem já leu, provavelmente conseguirá decifrar 😄
E como a vida sem amor não tem graça, o autor inclui também umas pinguinhas de romance que espalha pela leitura. Apesar dos episódios românticos serem escassos, confesso que adorei, e que torço por este casal que Moita Flores juntou.
Estava na hora de falar com o pai. Dizer-lhe da sua paixão, contar-lhe que namorava uma andorinha com nome de flor e explicar-lhe como era um prazer infinito sentir a presença dela ao seu lado (p. 254)

Sendo o seu primeiro romance do género policial, Moita Flores consegue produzir algo muito completo e, tendo o autor pertencido à Polícia Judiciária, com algum conhecimento de causa no que toca a criminologia e investigação. Repleto de mistério, humor, intriga, e tabu, O Mistério do Caso de Campolide foi uma óptima estreia com o autor, e anseio por ler mais da sua obra no futuro.

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4/5 estrelas

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Então, Boa Noite | Mário Zambujal

Saturday, January 19, 2019 Amareleja, Portugal


Título: Então, Boa Noite
Autor: Mário Zambujal
Editora: Clube do Autor
Ano de publicação: 2018
Páginas: 148

Onde comprar (portes grátis): Wook*

Como já sabem, Mário Zambujal é um dos autores favoritos do ano. Por esta razão, tenho como objectivo ler tudo o que o autor publicou - e já estive mais longe! Hoje venho falar-vos sobre a minha primeira leitura de 2019, Então, Boa Noite, o mais recente lançamento do autor que me foi gentilmente enviado pela editora

A História

Em Então, Boa Noite, seguimos Afonso Júlio, um jovem nos seus vintes/trintas que sofre de plasticidade dos neurónios. Isto faz com que Afonso troque as noites pelos dias, isto é, dorme de dia e à noite está desperto. Por isso, as suas rotinas são bastante fora do normal, e isto acaba por afectar as suas relações amorosas, as suas oportunidades de trabalho, e até os sítios que pode frequentar, já que só sai de casa durante a noite.

O meu dia-a-dia é noite-a-noite, durmo como um anjo a fase diurna, se é verdade que os anjos também dormem a sesta (p. 17)

Entretanto, recebe uma carta do seu padrinho, Josué, com três anos de atraso. Nesta carta, é-lhe incumbido que complete duas 'tarefas' de alguma dificuldade. Sendo um grande admirador do seu padrinho, que lhe deixou uma casa como herança, pretende cumprir a sua vontade. Assim, seguimos Afonso na sua tentativa de cumprir a vontade de Josué, enquanto procura por Teresa, mulher por quem se enrabichou.

Opinião

Como de costume, o autor apresenta-nos muitas personagens peculiares - a começar pelos seus nomes. O protagonista é uma espécie de Don Juan, e eu achei que tinha umas saídas bastante engraçadas. Como a Ana referiu na sua opinião, Afonso Júlio tem muita lábia.

- Eu sou o Afonso Júlio. Realmente não nos conhecíamos. De contrário já lhe teria dito, você é a mulher que sempre procurei.
Para ser honesto faltou-me acrescentar: nesta sala.

Mas o nosso protagonista não é a única personagem caricata, pelo contrário, desde os seus companheiros da noite às personagens com quem vai interagindo ao longo da história, encontramos inúmeras peculiaridades.

Carlos Tarcínio é homem pequeno, de orelhas grandes, usa casacos de cores vivas com monograma no bolso superior, e não se cansa de esgravatar nos ouvidos com cotonetes. Quando dá por findo o trabalho de um cotonete, deposita-o num pequeno saco de papel, saca outro cotonete de uma caixinha de metal e escarafuncha (p. 38)

Como costumo dizer, Mário Zambujal é um verdadeiro 'tuga'. Não há cá acordos ortográficos, e muito menos estrangeirismos. Esta aversão dá geralmente origem a palavras engraçadas como coqueteile e feicebuque. Porém, existem algumas adaptações que são, por vezes, autênticos quebra-cabeças - como é o caso de pâbliquerrileichon -, mas que acabam por adicionar um je ne sais quoi à narrativa, e que a tornam ainda mais portuguesa, digamos assim. 

Então, Boa Noite está, tal como os restantes livros do autor que tive o prazer de ler, recheado de ironia e boa disposição. Apesar de não ser o melhor que li até agora, é uma óptima leitura que se completa apenas num dia, e que é impossível de ler sem sorrir ou soltar uma gargalhada.


4/5 estrelas

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